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BANHO: HISTÓRIAS E RITUAIS - Parte 1


por Redação em 13/10/2008

Refrescar, seduzir, relaxar, estimular. As finalidades do banho são tão numerosas quanto os benefícios que ele traz para o corpo e mente das pessoas. O banho, seus rituais e significados acompanham a humanidade desde as civilizações mais antigas.
Toma-se banho porque assim nos foi ensinado, como se esse hábito existisse desde sempre. De fato, existe. Mas não do modo como o praticamos agora – o banho, tal como o experimentamos, é uma criação do século XX.

Ao longo da história, o banho assumiu diferentes usos e formas. Já foi sagrado e já foi profano, receita de saúde ou causa de morte, diversão para as massas ou privilégio de reis, público e íntimo. Houve tempos em que a vida social girava em torno da água, e houve tempos em que ela foi banida do cotidiano. Cada civilização e cada época tiveram o seu banho, e cada banho teve um sentido. O modo como nos banhamos hoje – e porque fazemos isso – é a combinação do tempo sobre todas essas experiências.

HISTÓRIA

O sagrado do banho
A vida começa na água. A necessidade dela fez com que as primeiras civilizações surgissem ao redor de rios. Nas mais distantes culturas, ela é associada a deuses e poderes mágicos de cura e purificação, criação e renascimento. Buda, Confúcio, Manu, Maomé e Moisés pregaram suas virtudes – além de limpar o corpo, a água pode lavar a alma.

Cerca de 2000 a.C.
Os egípcios lavavam-se ao menos três vezes por dia. Usavam jarros e bacias com água corrente fresca para se banhar – a água parada, que podia transmitir doenças, era desaconselhada. Cinzas, argila e natrão, uma mistura de sal e bicarbonato de sódio, faziam as vezes de sabonete. 

Cerca de 800 a.C.
Os gregos também relacionavam mitos e deuses à água. O banho era privado, às vezes dentro de uma banheira rasa de pedra. Em 600 a.C.,os homens treinavam como atletas, e os banhos ganharam popularidade ao relaxar músculos e revigorar mentes. Surgiram os primeiros banhos públicos.

100 a.C.
Os romanos descobrem com os gregos o prazer de alternar banhos frios e quentes. Aquedutos se popularizam, alimentando banhos públicos e privados. O abastecimento contínuo de água permite também que surja a tecnologia do aquecimento. Redes privadas de água enchiam piscinas, alimentavam fontes e tornavam os banhos, inclusive de vapor, um prazer constante. Roma se tornou a capital mundial do banho e jamais na história ele foi uma prática tão intensa como neste período.

Era Cristã
Nenhum inimigo foi tão fatal às termas quanto a Igreja, que combate os banhos públicos, símbolo de luxúria, orgulho, preguiça, vaidade, gula, cobiça. A ascensão da moral cristã e a queda do Império fazem com que gradativamente os banhos sejam abandonados.

Séculos 14 e 15
Em 1347, A primeira onda da peste negra chega à Europa, em uma epidemia que dizimaria um terço da população do continente até o século 18. E, com ela, o medo de um mal invisível que poderia estar em qualquer lugar – até na água. A peste bubônica faz seu primeiro milhão de vítimas, e o pavor pelo contágio se alastra. Os médicos recomendavam às pessoas fugir dos banhos.

Séculos 16 e 17
Primeiro em Paris e depois por toda a Europa, os banhos foram proibidos novamente. A água foi quase suprimida do cotidiano e a toalete passa a ser seca: em vez de lavar, melhor friccionava-se a pele com pano perfumado. Água, só para lavar boca, mãos e rosto, as partes visíveis. A partir do século 17, trocar de roupa torna-se praticamente o mesmo que se lavar.

Século 18
O iluminismo pregava um mundo esclarecido pela razão e pela ciência. O banheiro moderno foi desenhado pelos ingleses no segundo terço do século XIX, modelo repetido nos Estados Unidos: uma sala branca, com chuveiro cercado por uma cortina e separado da banheira. Metais e porcelana substituíam madeira e mármore.

Século 20
O conceito de banheiro, como conhecemos hoje, ainda estava na dependência do abastecimento privado de água, algo que, na França, só aconteceria em massa em meados do século XX . Aulas de asseio passaram a ser incluídas no currículo de alunos primários, e escolas ganharam chuveiros e pias nas primeiras décadas do século XX. Nos anos 1930, a regra era tomar um banho por semana, geralmente aos sábados. A situação começaria a mudar a partir da Segunda Guerra Mundial, quando a água encanada começa a chegar mais cidades. Os banheiros passam a ser feitos para uma pessoa, e não para grupos, como em outras épocas, e valorizando a privacidade. Nas décadas finais, o banho torna-se freqüente e de corpo inteiro.
Assim sendo, o primeiro sabonete foi lançado em 1913, pela então Unilever. A marca Lux veio logo em seguida, em 1924, nos EUA. No Brasil, chegou em 1932.

Renata Ashcar
Graduada em comunicação, é especializada em perfumaria e cosméticos e atua há 21 anos na área como consultora de marketing e estratégias. Autora dos livros Brasilessência: A cultura do perfume (Best Seller); Banho: História e Rituais (Grifo) e Guia de Perfumes (Duetto Editorial). Correspondente internacional da revista International Cosmetic News e Responsável pela criação do Espaço Perfume Arte & História, museu de perfumes dedicado à história e a arte da perfumaria.


  • @feirabeautyfair

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